Polícia identifica três adultos suspeitos de coação após adolescentes agredirem cão Orelha em Florianópolis; animal sofreu eutanásia
26/01/2026
(Foto: Reprodução) Orelha, cão de rua comunitário, é torturado por adolescentes e não resiste aos ferimentos
A Polícia Civil identificou três adultos suspeitos de envolvimento em ações de coação no processo que investiga a morte do cão comunitário Orelha, brutalmente agredido na Praia Brava, uma das áreas mais nobres de Florianópolis.
Eles são familiares dos quatro adolescentes apontados como suspeitos dos atos infracionais de maus-tratos, segundo a investigação, mas não tiveram os nomes divulgados. Uma operação, nesta segunda-feira (26), cumpriu três mandados de busca e apreensão nas casas deles e também de seus responsáveis legais.
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Idoso e dócil: quem era Orelha
Agressão tem pelo menos 4 adolescentes suspeitos identificados
O crime de coação no curso do processo está previsto no Art. 344 do Código Penal. A descrição é essa:
"Usar de violência ou grave ameaça, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio, contra autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo judicial, policial ou administrativo, ou em juízo arbitral."
Ou seja: é o crime de ameaçar ou agredir alguma das partes de um processo judicial – juízes, testemunhas, advogados, vítimas ou réus, por exemplo – para tentar interferir no resultado.
A informação de que um policial civil, pai de um dos suspeitos, teria coagido uma testemunha é um dos pontos investigados. A delegada responsável pela investigação, Mardjoli Valcareggi, afirmou que essa denúncia está sendo analisada, mas negou qualquer envolvimento de um policial no crime em si.
“O mandado contra o adulto buscava localizar uma arma supostamente usada para ameaçar uma testemunha. No entanto, não encontramos essa arma, apenas certa quantidade de drogas. Há indícios de que quatro adolescentes tenham praticado as agressões contra o cão, e três adultos estariam envolvidos na coação durante o processo”, informou o delegado delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel.
Adolescentes são suspeitos
Os policiais informaram que os principais suspeitos de agredir o cão, que tinha aproximadamente 10 anos, são quatro adolescentes.
Segundo o delegado-geral, dois deles estão em Florianópolis e foram alvos da operação — os demais estão nos Estados Unidos para "viagem pré-programada".
Aparelhos celulares e outros dispositivos eletrônicos foram apreendidos e passarão por análise. Pessoas são ouvidas nesta segunda-feira. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) informou que acompanha as investigações.
O que aconteceu?
A Polícia Civil tomou conhecimento do caso em 16 de janeiro. Segundo relatos de moradores, o cachorro estava desaparecido. Dias depois, uma das pessoas que cuidavam de Orelha, o encontrou durante uma caminhada, caído e agonizando.
Ela recolheu o animal e o levou a uma clínica veterinária, mas, devido à gravidade dos ferimentos, não houve alternativa além da eutanásia. Em entrevista à NSC TV, o empresário e morador da região, Silvio Gasperin, explicou como tudo aconteceu e se emocionou ao falar sobre o caso.
“A Fátima ficou sabendo, mas não encontrou ele de imediato. Em uma caminhada, achou ele jogado e agonizando. Recolheu, levou ao veterinário… precisa de justiça, né?”, disse.
Morte de cão comunitário agredido entristece moradores da Praia Braiva, em Florianópolis
Quem era Orelha?
A Praia Brava tem três casinhas destinadas aos cães que se tornaram mascotes da região. Orelha era um deles.
“Muita gente vinha trazer comida para eles, mas eu era o responsável por alimentá-los todos os dias. Eles não podiam ficar sem comida e sem cuidado”, contou o aposentado Mário Rogério Prestes, que acompanhava de perto os animais.
Orelha era um dos cães mascotes da região da Praia Brava, em Florianópolis
Reprodução/Redes sociais
Além de conviver com os moradores, Orelha também interagia com outros cães do bairro. A empresária Antônia Souza, tutora da cadela Cristal, explicou que gostava de passear com a cachorra pela região e encontrar os demais animais.
“Eles conviviam com a gente. Eles tinham uma vida na Praia Brava. Todo mundo que mora aqui, ou vem com frequência, sabe de quem estamos falando: os ‘pretinhos’”, afirmou.
Em nota divulgada na sexta-feira (17), a Associação de Moradores da Praia Brava destacou o papel afetivo do animal.
“Orelha fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos e era cuidado espontaneamente pela comunidade, tornando-se um símbolo simples, porém muito querido, da convivência e da relação de cuidado que muitos mantêm com o espaço e com os animais que aqui vivem.”
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