Ferrari de R$ 4 milhões é trocada por relógio falso e cheques sem fundo, denuncia empresário vítima de golpe

  • 01/06/2026
(Foto: Reprodução)
Exemplo de Ferrari SF90 Stradale Divulgação/Ferrari Uma transação milionária envolvendo uma Ferrari de modelo único no Brasil virou alvo de investigação policial em São Paulo após acusações de falta de pagamento pelo proprietário original do veículo. O empresário Leonardo Rodrigues afirma que foi vítima de um golpe e que recebeu cheques sem fundo e um relógio falsificado pelo carro, avaliado em R$ 4 milhões. De acordo com o advogado Clóvis Ferreira de Araújo, que representa Leonardo, a negociação aconteceu por meio de um intermediário, Carlos Eduardo Barbosa, em nome de Boris Maciel Padilha – conhecido empresário do mercado de luxo em Santa Catarina. Ele afirma que Carlos procurou Leonardo no ano passado com uma proposta: em troca do carro, pagaria um relógio Richard Mille, de aproximadamente R$ 2,5 milhões, e três cheques de R$ 600 mil. Segundo a defesa, Leonardo aceitou as condições e entregou o veículo confiando no intermediário, com quem mantinha relação de convivência social há mais de uma década. Ele afirma que nunca teve contato direto com Boris. Posteriormente, Carlos admitiu à polícia que participou da negociação porque tinha dívidas com Boris e confessou que sabia que os relógios eram falsos e que os cheques não tinham fundos. Procurado, o advogado Rafael Maluf, que representa Boris Padilha, sustentou que a negociação da Ferrari aconteceu diretamente com Leonardo Rodrigues e não teve "qualquer intercorrência". Segundo ele, os cheques sem fundos e o relógio falsificado "são referentes a uma transação comercial antecedente realizada exclusivamente entre o Sr. Carlos Barbosa e o Sr. Leonardo V. Rodrigues, sem qualquer vinculação ou interferência com o Sr. Boris" (leia nota na íntegra abaixo). Agora no g1 As suspeitas começaram logo após a conclusão do negócio. De acordo com o advogado, o relógio foi levado a um avaliador especializado, que atestou que a peça era falsificada. Além disso, os três cheques apresentados como parte do pagamento foram devolvidos por falta de fundos. O caso foi levado à Polícia Civil em novembro, depois que Leonardo tentou, sem sucesso, reaver o carro com o intermediário. Um inquérito foi instaurado pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) para apurar o ocorrido. A polícia também solicitou informações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre movimentações financeiras ligadas ao investigado. Durante as investigações, ainda segundo a defesa de Leonardo, Boris apresentou versões divergentes sobre o pagamento. Em um primeiro momento, disse que entregou determinados relógios ao intermediário para repasse ao proprietário do veículo. Posteriormente, por meio de seu advogado, teria apresentado uma relação diferente de itens. Paralelamente à investigação criminal, Leonardo ingressou com uma ação judicial na esfera cível e conseguiu uma decisão favorável que bloqueou o veículo junto ao Detran, impedindo qualquer transferência de propriedade enquanto não houver comprovação do pagamento. Apesar de permanecer registrado em nome de Leonardo, o carro está sob posse de Boris para "guarda e conservação", conforme decisão judicial. A defesa do proprietário afirma, porém, que reuniu provas de que o veículo tem sido utilizado pelo empresário catarinense e que já foi emprestado a terceiros em algumas ocasiões, descumprindo a determinação. A Ferrari em disputa é considerada rara, sendo um modelo SF90 Stradale Assetto Fiorano, apontado como único com essas especificações no Brasil, fator que eleva seu valor e exclusividade no mercado. Defesa de acusado diz que transação aconteceu "sem qualquer intercorrência" O Sr. Boris Padilha é um empresário que atua no mercado de bens de luxo há mais de 30 anos, e sempre agiu de maneira absolutamente séria e honesta ao longo de sua vida pessoal e profissional, sem qualquer mácula que o desabone. Sobre os fatos envolvendo o veículo Ferrari SF90, o Sr. Boris o adquiriu regularmente, sendo a tratativa de transferência realizada diretamente com o Sr. Leonardo Vasconcelos Rodrigues, sem qualquer intercorrência. Importante registrar que os cheques sem provisão de fundos e um relógio contrafeito da marca Richard Mille são referentes a uma transação comercial antecedente realizada exclusivamente entre o Sr. Carlos Barbosa e o Sr. Leonardo V. Rodrigues, sem qualquer vinculação ou interferência com o Sr. Boris. Quase 6 meses depois da entrega e transferência da Ferrari SF90, o Sr. Leonardo Vasconcelos Rodrigues alegou ter sido vítima de determinado crime cometido pelo Sr. Carlos Barbosa, pleiteando o aludido veículo. Após o pormenorizado esclarecimento dos fatos, a Justiça determinou, mediante concordância do Ministério Público, o depósito da Ferrari SF90 ao Sr. Boris, na qualidade de terceiro de boa-fé. Por fim, o Sr. Boris lamenta muito o ocorrido, uma vez que tomou todas as cautelas necessárias para a realização e concretização da compra da Ferrari SF90, em especial com a anuência e plena concordância do Sr. Leonardo V. Rodrigues para a regular transferência do veículo perante o Departamento Estadual de Trânsito – DETRAN.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/06/01/ferrari-de-r-4-milhoes-e-trocada-por-relogio-falso-e-cheques-sem-fundo-denuncia-empresario-vitima-de-golpe.ghtml


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