Da universidade à indústria: como pesquisas viram soluções reais para o mercado

  • 03/11/2026
(Foto: Reprodução)
Na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico conectam pesquisadores ao setor produtivo, contribuindo para a inovação em áreas como mobilidade, acústica, refrigeração e energia. Nesse processo, a Fundação de Ensino e Engenharia de Santa Catarina (FEESC) atua no apoio à realização desses projetos e na gestão de iniciativas que aproximam a pesquisa acadêmica das demandas das empresas. Essa cooperação permite que organizações de diferentes portes tenham acesso à estrutura de laboratórios, ao conhecimento de professores e pesquisadores e à capacidade técnica da universidade. Ao mesmo tempo, os projetos oferecem oportunidades para que a pesquisa desenvolvida no ambiente acadêmico encontre aplicações práticas, contribuindo para o avanço tecnológico e o desenvolvimento econômico. Um dos mecanismos que favorecem essa conexão é a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que estimula parcerias entre instituições de pesquisa e empresas para o desenvolvimento de soluções inovadoras. “A função fundamental é aproximar a universidade da indústria e das pequenas empresas no Brasil e promover soluções de inovação baseadas em desenvolvimento tecnológico”, explica o pró-reitor da UFSC, professor Jacques Mick. Desenvolvimento de tecnologias para diferentes setores Na UFSC, diferentes unidades de pesquisa trabalham em parceria com empresas para desenvolver soluções em áreas estratégicas. Uma delas é a inoVARE, criada em 2014 e especializada em vibrações, acústica, refrigeração e energia. A unidade já participou de mais de 40 projetos com empresas, incluindo iniciativas com a Embraer, a Petrobras, a Nidec e a Whirlpool. Os trabalhos abrangem desafios técnicos específicos de cada organização e demonstram como a pesquisa universitária pode contribuir para o aprimoramento de produtos e processos industriais. Na área aeronáutica, por exemplo, projetos desenvolvidos com a Embraer envolvem estudos sobre ruído e acústica no interior das aeronaves. O objetivo é compreender as condições sonoras da cabine e contribuir para minimizar os ruídos e gerar maior conforto dos passageiros dentro dos aviões. A atuação da equipe também inclui pesquisas relacionadas a outras demandas industriais nas áreas de energia, refrigeração e vibrações. Além da inoVARE, a unidade Move desenvolve tecnologias para a mobilidade. Criada em 2022, a estrutura atende a áreas como transporte de pessoas e cargas, veículos, indústria aeroespacial, naval e ferroviária. A Move reúne 14 laboratórios e cerca de 80 pessoas, entre professores, técnicos, profissionais administrativos e estudantes de pós-graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado. Desde o início das atividades, a unidade já contabiliza 20 projetos contratados, dos quais 12 já foram concluídos e oito estão em andamento. Move trabalha com mobilidade e eletrificação veicular Responsável pela unidade Move e professor de Engenharia Mecânica da UFSC, Rodrigo Vieira explica que os projetos são construídos de forma colaborativa, com participação da universidade e das empresas envolvidas. “A gente chama de projeto de pesquisa. Esse projeto é sempre feito a quatro mãos, entre a empresa e a universidade”, afirma. Entre as iniciativas da unidade está o desenvolvimento de ferramentas de apoio à engenharia para a criação de mecanismos utilizados em aeronaves, como sistemas relacionados às superfícies móveis das asas. Além disso, a Move também trabalha com tecnologias para carregadores de veículos elétricos. “A gente surgiu dentro do projeto Rota 2030 e o foco naquela época era ter alguma unidade da Embrapii voltada para a eletrificação veicular”, conta Rodrigo. Os projetos têm duração variável, de acordo com a complexidade das demandas. Em média, são aproximadamente 18 meses de trabalho, embora algumas iniciativas possam ser concluídas em períodos mais curtos e outras exijam prazos maiores. Para Rodrigo, a colaboração com o setor produtivo está alinhada ao papel da universidade de contribuir com a sociedade. A parceria também permite que as empresas encontrem conhecimento especializado para enfrentar desafios tecnológicos, enquanto a universidade amplia as possibilidades de aplicação dos resultados das pesquisas. Apoio à pesquisa aproxima universidade e setor produtivo A participação das fundações de apoio nesses projetos de pesquisa é importante para viabilizar a execução, especialmente em instituições públicas, que precisam cumprir procedimentos administrativos próprios. Segundo Jacques, o apoio das fundações é fundamental para tornar a administração dos projetos mais ágil e eficiente, sobretudo nas parcerias com o setor industrial. Nesses casos, as equipes precisam organizar recursos, etapas e prazos para responder a necessidades específicas do mercado. Esse trabalho contribui para que o conhecimento produzido na universidade possa ser aplicado em desafios concretos, sem perder de vista o rigor técnico e científico. A atuação da FEESC nesse contexto favorece as condições necessárias para o desenvolvimento de projetos de pesquisa e para promover inovação em colaboração com o setor produtivo. Empresas podem buscar parcerias durante todo o ano Um dos diferenciais do modelo de cooperação com a Embrapii é a possibilidade de desenvolver projetos em fluxo contínuo, sem depender necessariamente da abertura de um edital. Dessa forma, empresas interessadas podem procurar as unidades de pesquisa para apresentar suas necessidades e avaliar oportunidades de trabalho conjunto. Na Move e na inoVARE, o processo começa com o contato da empresa e o entendimento do desafio técnico. A equipe dentro da universidade analisa a demanda, identifica possibilidades de desenvolvimento e prepara uma proposta. Quando necessário, são estabelecidos acordos de confidencialidade para proteger informações estratégicas compartilhadas durante as conversas. “A grande vantagem, quando a gente faz um projeto na Embrapii, é que a gente não precisa esperar edital. É fluxo contínuo: a empresa tem a necessidade, ela nos procura e a gente encontra a solução para eles”, explica Rodrigo. O modelo também pode facilitar o acesso de micro e pequenas empresas à inovação. Em determinadas modalidades, há apoio financeiro do governo federal e do Sebrae, o que pode reduzir a parcela de investimento necessária por parte da empresa, conforme as regras aplicáveis a cada projeto. Saiba mais sobre os projetos de pesquisa administrados pela FEESC nas redes sociais da Fundação clicando aqui.

FONTE: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/techsc/especial-publicitario/feesc/noticia/2026/11/03/da-universidade-a-industria-como-pesquisas-viram-solucoes-reais-para-o-mercado.ghtml


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