Justiça proíbe prisões motivadas por prática do naturismo na praia da Galheta, em Florianópolis; entenda

  • 14/03/2026
(Foto: Reprodução)
Conheça a Galheta, praia famosa pela prática do nudismo em Florianópolis O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) decidiu, por maioria, conceder parcialmente um habeas corpus preventivo que garante a liberdade dos frequentadores da Praia da Galheta, em Florianópolis, contra abordagens policiais motivadas exclusivamente pela prática do naturismo. Localizada no leste da Ilha de Santa Catarina, a praia é conhecida internacionalmente pelo nudismo, mesmo como espaço não tendo legislação atual sobre o tema. O assunto é tema de discussão na Câmara (entenda o imbróglio abaixo). ✅ Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Como surgiu o movimento naturista da praia da Galheta O que consta na decisão? A decisão, de quinta-feira (12), determina que autoridades estaduais e municipais não façam prisões, conduções coercitivas ou registros de termos circunstanciados apenas por causa da nudez não sexual dentro dos limites da faixa de areia e no mar. Apesar disso, o documento não implica autorização administrativa do naturismo. O colegiado acompanhou o voto divergente do desembargador João Marcos Buch e concluiu que a nudez naturista, por não ter conotação sexual, não configura o crime de ato obsceno previsto no Código Penal. Em resumo, a decisão vale até uma futura deliberação do Legislativo municipal e ressalta que a permissão não se estende a trilhas, costões ou estacionamentos. O município e o estado mantêm o poder de polícia para fiscalizar o uso do espaço e coibir outros crimes ou infrações administrativas, como assédio, atos sexuais e danos ao meio ambiente. ➡️ Embora legislações municipais anteriores tenham sido revogadas pela criação do Monumento Natural Municipal da Galheta, em 2016, o TJSC observou que a nova norma não proibiu o naturismo, mas submeteu sua prática a uma futura regulamentação por meio de Plano de Manejo e legislação específica, que atualmente tramita na Câmara de Vereadores. praia da galheta florianopolis Fernanda Burigo/G1 O pedido na Justiça foi feito pela Associação Amigos da Galheta. O desembargador Alexandre Morais da Rosa acompanhou o voto divergente de Buch e formou a maioria, vencendo a relatora Andrea Studer. Para os magistrados, o Direito Penal não deve ser usado para suprir lacunas administrativas nem para impor moralismos sobre uma prática social pacífica e tradicional. A decisão também abordou o equilíbrio entre o turismo e o uso comum das praias da cidade. O TJSC ressaltou que, enquanto Florianópolis dispõe de 42 praias, a Galheta é a única historicamente destinada ao naturismo, o que garante o acesso dos não adeptos a outras 41 opções de lazer sem prejuízo à ordem pública. Limites à decisão Apesar da decisão, a Justiça impôs limites geográficos rigorosos: a proteção não se estende a trilhas, costões, áreas de restinga, decks ou estacionamentos, onde a nudez continua proibida. Da mesma forma, a decisão mantém integralmente o poder de polícia do estado e do município para coibir crimes reais, como assédio, atos sexuais e danos ao meio ambiente, além de permitir que a prefeitura realize a sinalização ostensiva e a setorização do espaço para evitar conflitos entre diferentes perfis de frequentadores. Entenda a polêmica com a Praia da Galheta A Praia da Galheta está localizada na região leste da Ilha de Santa Catarina e é acessada por trilha ou pelo mar. O local é alvo de polêmica entre adeptos do naturismo e alguns moradores e visitantes da região contrários ao tema. A praia também está na lista da Federação Brasileira de Naturismo (FBrN) e recebe turistas de todo o mundo. Segundo a entidade, o movimento naturista está presente na cidade há mais de 40 anos e já é consolidado. E mesmo sem a lei, a prática segue ocorrendo. 👍🚫 Autorização, revogação e plano de manejo Criado pela lei nº 3.455 de 1990, o Parque da Galheta não previa o naturismo na praia. A permissão legal veio em 1997, com o texto de nº 195. Em uma atualização, os vereadores aprovaram a lei n. 10.100, de 2016, que tornou local Monumento Natural Municipal da Galheta. Nesta votação, o naturismo foi revogado. Com a lei de 2016, foi necessário a elaboração de um Plano de Manejo, como prevê o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). Após anos de discussão, o documento foi entregue ano passado pelo município citando as normas e restrições para o uso do espaço. VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias

FONTE: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2026/03/14/justica-proibe-prisoes-naturismo-praia-galheta-florianopolis.ghtml


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