Entrevista na NSC: João Rodrigues defende uso de tornozeleira eletrônica para agressores de mulheres e privatização do saneamento básico
15/09/2026
(Foto: Reprodução) João Rodrigues: entrevista com candidato à governador de SC
João Rodrigues, candidato do PSD ao governo de Santa Catarina, foi entrevistado nesta terça-feira (15) pela NSC TV dentro do Jornal do Almoço.
Ao longo de 30 minutos, foi questionado pelos apresentadores Raphael Faraco e Laine Valgas sobre propostas de campanha e posicionamento de candidatura. Entre os temas, respondeu que defende a privatização da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan), o uso de tornozeleira eletrônica por todo homem alvo de medida protetiva por violência contra a mulher e prometeu a construção de um presídio de segurança máxima.
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🔍🗣️ A entrevista faz parte de uma série de sabatinas com os postulantes ao governo catarinense realizadas a partir desta segunda (14) até a sexta-feira (18). A ordem dos candidatos segue a posição na pesquisa Quaest encomendada pela NSC e divulgada em 24 de agosto (confira os dados do levantamento).
Uso de tornozeleira eletrônica para agressores de mulheres
Jornal do Almoço - SC: João Rodrigues responde sobre violência contra a mulher
No tema de combate ao feminicídio e violência contra a mulher, defendeu o uso de tornozeleira eletrônica por todos os homens com medida protetiva. A proposta seria viabilizada a partir de acerto com Ministério Público, Judiciário, Polícia Civil como forma de monitorar e evitar a reincidência.
"Todo homem que se tornar uma ameaça para a mulher ou tiver uma medida protetiva, tornozeleira eletrônica para monitorar o distanciamento da casa, do lar. Quando você coloca a tornozeleira eletrônica num agressor, você monitora ele. Você pega o endereço da mulher na hora".
Reforçou que uma ação articulada pode garantir o monitoramento de todos os agressores com tornozeleira eletrônica. Também propõe o acompanhamento psiquiátrico em casos avaliados junto com o Judiciário e que possam levar a um feminicídio.
"Tem que ser assim. Agora vamos lá, por que acontece um feminicídio? Embriaguez ou drogas, ou infidelidade no lar, ou distúrbio mental de uma das partes. Geralmente, esses são os motivos. Então, eu vou também criar uma linha de ação alinhado com o Judiciário de que o suposto agressor, que tem o risco de levar para o feminicídio, seja obrigado minimamente uma vez a cada 15 dias ter uma consulta com um psiquiatra disponibilizado pelo estado".
Finalizou o tema reiterando que são importantes medidas de prevenção em escolas com alunos e professores e estimular as mulheres a confiar nas forças de segurança.
"A prevenção tá obviamente na escola, mas tu tem que fazer uma medida de segurança, porque tu não tem ideia quem mata quem. Agora, tem uma coisa importante, as mulheres têm que confiar mais na polícia. Muitas não procuram a polícia porque não confiam, têm medo. Registra contra o marido, dali meia hora o marido volta para casa. Isso é frequente. Então, nós precisamos criar mais confiança, dar mais autoridade para o policial que tome as medidas cabíveis, mas não só bota no papel e tudo fica normal".
Privatização da Casan
Jornal do Almoço - SC: João Rodrigues responde sobre saneamento básico
Questionado sobre dados de saneamento básico e a redução da cobertura de abastecimento de água em Chapecó, onde foi prefeito por quatro mandatos, Rodrigues respondeu que o principal motivo para a redução foi a Casan - empresa pública responsável pelo serviço - "não acompanhar o crescimento da cidade". Em seguida, defendeu, caso eleito, privatizar a companhia.
"Esse é um dos motivos que me leva, em sendo governador, privatizar a Casan. O sistema de Chapecó, é a CASAN que atende, e lamentavelmente, não consegue acompanhar o crescimento da cidade. Isso trava o desenvolvimento de Chapecó, porque para aprovar qualquer projeto novo de novos condomínios, loteamentos, trava muito na Casan".
Rodrigues reforçou que enquanto prefeito tentou romper o contrato e municipalizar os serviços de tratamento de água e esgoto. Defendeu que em caso de privatização vai atuar para que as tarifas não impactem no orçamento do consumidor.
"Nós vamos ter agência reguladora que vai manter e no processo de privatização, você já define a regra do jogo. Você veja bem, hoje em Santa Catarina é uma injustiça, o sistema é caro. [A tarifa] Do jeito que tá, ela é inaceitável, porque primeiro ela não atende, segundo ela é cara, e terceiro, tá provado, tem determinados serviços que na mão da iniciativa privada anda muito mais rápido, na mão do poder público é muito burocrático".
Sistema prisional e construção de presídio de segurança máxima
Durante a entrevista, Rodrigues defendeu a proposta de construir um presídio de segurança máxima para isolar exclusivamente membros de organizações criminosas, porém não definiu o local da estrutura. Disse, porém, que é "uma área que não traga problemas para a cidade".
"Isso sempre é ruim, não é nada bom. Isso não é um presente que se dê para uma cidade. Você tem que consultar as regiões do estado, ouvir os prefeitos, ouvir a comunidade e levar o que tu pretende fazer. Não há definição".
"Mais do que a penitenciária segurança máxima, eu quero transformar todo o sistema prisional, todo, exceto quem tá cumprindo uma prisão temporária, todo o sistema prisional em penitenciárias industriais".
Demais temas abordados na entrevista
Baixa cobertura vacinal e desconfiança sobre a vacina
Jornal do Almoço - SC: João Rodrigues responde sobre vacinas
"Primeiro, Chapecó é a cidade que mais vacina em Santa Catarina. Então, pega os índices, você vai observar que a cidade que montou um vacimóvel. Nós temos uma estrutura, além de todas as unidades de saúde, nós temos a estrutura móvel, em todos os bairros, praças, parques, todos os finais de semana, disponibilizamos todas as vacinas. E a minha manifestação em razão da dúvida sobre a vacina da Covid. Eu tenho uma dúvida, eu não sou antivacina, tanto é que Chapecó tá disponível".
"O mesmo fato ocorreu durante a pandemia, quando muitos questionavam a questão do tratamento precoce. Eu enfrentei, combati e fiz. Chapecó se tornou um exemplo para o país depois que utilizamos o tratamento precoce e libertamos, aliás, e liberamos o tratamento normal. E a comprovação está num estudo científico. Nós contratamos o curso de medicina da UNOESC, que fez um levantamento em todos os prontuários e comprovadamente quem fez o tratamento precoce teve o índice de mortalidade muito inferior a quem não fez".
"Não, eu nunca fui defender kit Covid. Eu liberei o tratamento precoce, porque aquilo era a vontade dos médicos. Eu não sou médico, eu não posso receitar medicamento. Agora, eu vou disponibilizar tudo que era possível. Numa guerra, você usa todas as armas, você não pode deixar de usar. Tanto é que hoje, qualquer tratamento que tu faz, inclusive da Covid, os médicos já recomendam o tratamento precoce".
"Todas as vacinas, com certeza absoluta, o estado vai liberar e disponibilizar. Eu não sou irresponsável de eu criar uma regra daquilo que eu acho. Ou seja, tanto é que Chapecó fez isso. Nunca faltou vacina para nada. A única coisa que eu não deixei era obrigar ninguém a vacinar, pegar, prender, eu não permiti isso. E não permitirei como governador de estado. Ninguém vai prender ninguém se não quiser vacinar. Isso é uma opção de cada cidadão. Mas, agora eu sou a favor de todas as vacinas. Eu tenho dúvida ainda, até porque agora tá aprimorando. O tempo passou, o tempo mudou, tem algumas vacinas tiradas do mercado, já comprovadamente que teve efeitos colaterais e maléficos, que já foram tiradas do mercado, então, por si só, já tinha razão. Agora, as vacinas em geral, eu o meu exemplo é aquilo que eu fiz em Chapecó".
Índice de letalidade em Chapecó acima da média e medidas para segurança pública
Jornal do Almoço - SC: João Rodrigues responde sobre segurança pública
"O índice da letalidade de Chapecó não é por latrocínio, não teve nenhum. É são brigas, são desentendimentos... Mas é uma questão de um bar, de um baile, de uma festa ou muitas vezes de um crime entre facção criminosa, que você não tem como prever que fulano vai cobrar conta de beltrano em outro lugar. Este índice não é uma agressão à sociedade, são entre partes, mas de qualquer forma não é aceitável. Por exemplo, eu tomei medidas, a guarda mais bem armada do Brasil é a de Chapecó".
"Até porque Santa Catarina ainda é o estado mais seguro, mas não é por força do estado, é por força da população, pelo comportamento da sociedade catarinense, um povo que trabalha. Se você for ver, qual é a força do estado, se o efetivo da Polícia Civil e Militar hoje é menor do que 1990? Então, o que o estado fez? O estado tá repondo o seu quadro como todos os governadores fizeram, não mudou o cenário. Então, há uma necessidade da gente aumentar o efetivo, tudo com os concursos, mas usando a criatividade".
"Eu começaria no seguinte fato. Hoje o policial militar trabalha 24 horas e folga 72 [horas]. Só que todos nós sabemos que uma das 24 [horas], ele faz um bico fora para aumentar a receita, isso é geral. O que eu vou criar? A permissão que o militar escolha, se ele quiser, o estado vai comprar um dia dele, para ele aumentar um dia de trabalho, reduz um dia de folga, de acordo com a vontade dele. Eu creio que a maioria absoluta vai querer aumentar a sua renda, porque ele já tá fazendo bico fora".
Uso de câmeras corporais
Jornal do Almoço - SC: João Rodrigues responde sobre segurança pública
"Olha, eu tenho alguma dúvida em relação a isso, porque isso pode servir e ser usado contra a polícia, porque a polícia quando age, vamos ser sinceros, tem episódios que há de ser questionado, mas em alguns episódios ela tem que agir com certo rigor quando ela enfrenta o bandido, o criminoso. Então, você tem que entender esse momento do enfrentamento".
"Agora, o abuso, obviamente, que eu sou contrário a qualquer tipo de abuso de qualquer cidadão, mas tenho dúvida quanto a isso ainda, se seria o caminho de colocar câmera para fiscalizar quem defende a população. Olha, pega um policial, põe enfrentar um traficante, enfrentar um tiroteio, você filma a ação do policial, mas você não filma a ação do bandido, e aquilo serve como prova contra quem nos defende. Então, eu tenho dúvida sobre isso".
Cuidado com famílias atípicas e recomendação do MP para ajuste de medida sobre salas integrativas em Chapecó
Jornal do Almoço - SC: João Rodrigues responde sobre autismo
"Primeiro, nós temos o segundo professor em sala de aula para atender exclusivamente as crianças que precisam de um atendimento específico, que não é só autismo, né? Existem outros problemas. Nós criamos a sala interativa, os pais visitam a escola, conhecem o ambiente e fazem a escolha. Porque nós temos as crianças que conseguem estar em sala de aula, aprendizagem dentro do que é possível, e tem crianças que não conseguem ficar dentro de uma sala de aula e, infelizmente, pela questão do grau do autismo. Aí tem uma alternativa, não é obrigado. Isso é um programa alternativo que permite ter uma sala interativa e ela vai ter um professor lá para cuidar dela, dar o ensinamento, fazer tudo que é possível. Então, nós criamos em Chapecó algo a mais, que, aliás, Chapecó é uma das poucas cidades no Brasil que fizemos uma pós-graduação com mais de 300 professores para saber lidar com as crianças autistas".
"No estado, eu pretendo fazer a mesma questão, qualificar todos os professores para aprender lidar com o autismo. E outra, eu vou criar um programa de estado. As mães atípicas, as famílias que têm uma criança, eu quero criar 10 centros de atendimento à causa autista em 10 polos, com equipe multidisciplinar. Porque o maior problema hoje é, é laudar uma criança, é o laudo. Porque hoje tem criança que não é autista e é tratado como autista. E tem criança que é autista e não tem laudo".
"A dificuldade hoje é o neuropediatra, principalmente. Então, o estado vai contratar e montar 10 polos para atender. Tanto é que Chapecó eu entreguei um mandato em obras da maior cidade do autista de Santa Catarina".
Trajetória política e mandatos deixados no meio para concorrer a novos cargos
Jornal do Almoço - SC: João Rodrigues responde sobre política e projetos
"Quando eu fui candidato à reeleição na última eleição de prefeito, na campanha eu anunciei que eu renunciaria o mandato e mesmo assim eu fiz 83% dos votos. Eu me preparei para ser candidato a governador. Eu estou preparado para governar o estado. Porque se tem uma coisa, obras, eu tenho R$ 1 bilhão e 900. Não sei se vocês sabem, em Santa Catarina, Chapecó é a terceira cidade no Brasil que mais obra pública tem, incluindo as capitais".
"Agora uma coisa que eu gosto é de cuidar de gente, é cuidar de povo, ter empatia pelas pessoas que mais sofrem, é cuidar do ser humano. Porque rico não precisa de governo. Ele precisa que o governo não atrapalhe ele, não aumenta a carga tributária e crie as estruturas para poder transportar as riquezas do nosso estado. Agora quem precisa da mão de governo, é de um bom hospital, de uma escola pública, de casa popular, é o pobre. E o estado não cumpriu o seu dever de casa".
"Graças a Deus eu tive a maior aprovação do Brasil de prefeitos acima de estado de 10.000 habitantes. E não tenha dúvida, eu quero que Santa Catarina me dê uma chance, uma oportunidade de eu ir para o segundo turno para a gente debater melhor e uma chance de ser governador. Tudo que tá sendo feito, eu consigo fazer, mas tem algo que eu faço melhor, cuidar das pessoas".
Fila de cirurgias na rede pública e saúde mental de trabalhadores
"A população precisa de uma ressonância, demora 6 meses. Uma colonoscopia é algo urgente, 5 anos, 4 anos, 3 anos. Então, o nosso governo não vai acrescentar as despesas. Pelo contrário, nós vamos utilizar o que existe para fazer todos os exames de alta complexidade, mas nós vamos inteirar nisso também os consórcios intermunicipais de saúde que hoje já compram serviços no particular, nós vamos trazer para dentro da estrutura pública e vamos fazer tudo pelo SUS".
"A estrutura que o estado criou e os prédios, as estruturas é dos anos 80 e 90 era para uma população de 5 milhões de habitantes. Nós estamos batendo 8 milhões de habitantes. Como você vai me dizer que um profissional do Hospital São José não tá estressado e cansado se ali nunca para é superlotação, é colapso no sistema, porque o estado e o atual governo, ele repetiu a dose, aliás, inferior aos outros governos. O estado não fez um hospital novo".
"Primeiro, a discussão da gestão dos hospitais novos que nós vamos construir, nós não vamos trazer para dentro do estado, da conta do estado. A ideia é fazer a gestão, como já é feito na maioria dos hospitais que mais funcionam que Santa Catarina. Jaraguá do Sul, por exemplo, a gestão não é do estado e o prédio também não é do estado e é um dos hospitais que melhor funciona em Chapecó. O hospital é do estado, a gestão não é do estado. Nós queremos contratar empresas ou OSs [Organizações Sociais] que assumam uma gestão e obviamente para ter mais liberdade na contratação. É que tu tem que aumentar a rede para diminuir a pressão dos profissionais".
João Rodrigues (PSD), candidato ao governo de SC, em entrevista no Jornal do Almoço
NSC TV/Reprodução
Quem são os candidatos ao governo de SC em 2026?
O primeiro turno das eleições de 2026 será realizado em 4 de outubro. O segundo turno, se for necessário, está marcado para 25 de outubro. Em Santa Catarina, os partidos definiram oito nomes na disputa pelo governo. São eles:
Bruno Pedreiro (PCO)
Gelson Merísio (PSB)
João Rodrigues (PSD)
Jorginho Mello (PL)
Laís Chaud (Unidade Popular)
Marcelo Brigadeiro (Missão)
Professor Marcus Sodré (PSTU)
Ralf Zimmer (PRD)
VÍDEOS: reveja a entrevista de João Rodrigues ao Jornal do Almoço